Olavo Bilac - Deixa o olhar do mundo
Deixa que o olhar do mundo enfim devasse
Teu grande amor que é teu maior segredo!
Que terias perdido, se ,mais cedo,
Todo o afeto que sentes se mostrasse?
Basta de enganos!
Mostra-me sem medo
Aos homens, afrontando-os face a face:
Quero que os homens todos, quando eu passe,
Invejosos, apontem-me com o dedo.
Olha: não posso mais!
Ando tão cheio
Deste amor, que minh'alma se consome
De exaltar aos olhos do universo ...
Ouço em teu nome, em tudo o leio:
E, fatigado de calar teu nome,
Quase o revelo no final de um verso.
Em mim também
Em mim também, que descuidado vistes,
Encantado e aumentando o próprio encanto,
Tereis notado que outras cousas canto
Muito diversas das que outrora ouvistes.
Mas amastes, sem dúvida ... Portanto,
Meditai nas tristezas que sentistes:
Que eu, por mim, não conheço coisas tristes,
Que mais aflijam, que torturem tanto.
Quem ama inventa as penas em que vive;
E, em lugar de acalmar as penas, antes
Busca novo pesar com que as avive
Pois sabei que é por isso que assim ando:
que é dos loucos somente e dos amantes
na maior alegria chorando.
Primavera
Ah! Quem nos dera que isso, como outrora,
ainda nos comovesse! Ah! Quem nos dera
que ainda juntos pudessemos agora
ver o desabrochar da primavera!
Saíamos com os pássaros e a aurora,
e, no chão, sobre os troncos cheios de hera,
sentavas-te sorrindo, de hora em hora:
" Beijemos! Amemos! Espera! "
E esse corpo de rosa reacendia,
e aos meus beijos de fogo palpitava,
alqueirado de amor e de cansaço ...
A alma da terra gorjeava e ria ...
Nascia a primavera ... E eu te levava,
primavera de carne, pelo braço!
Paulo Leminski - Poetas Velhos
Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.
Dia vai vir que os sabia
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.
É tudo oque sinto
Inverno
É tudo oque sinto
Viver
É suscito
Pergunte ao sapo
Noite alta Lua baixa
Pergunte ao sapo
Oque ele coaxa
segunda-feira, 5 de julho de 2010
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